Um Começo…

    Estradas, jaqueta de couro e um carro… É um belo começo;

    5/11/2008 -

    Blogues que eu leio

    Atenção, isto não é um ranking. Mas é quase.
    - Não 2, Não 1
    Excelente blogue do Gustavo Gitti. É incrível como me identifico com quase tudo o que ele escreve. É fascinante quando você lê algo e se diz “Pqp por que eu não escrevi isso?”. É o primeiro da lista por conta disso.
    Um dos primeiros [...]

    2/01/2009 -
27th Sep, 2008

Uma noite..

Bela Vista, bairro no centro de São Paulo. Meia-luz, abajour ligado, o relógio marca 3h11. Levanto-me cuidadosamente da cama, tentando não fazer barulho.

[ Ela está dormindo ]

O tempo passou e o amor (ou o que quer que isso tenha sido) acabou. Hora de ir embora, não quero acordá-la. Coloco as meias, os sapatos e me visto.

Ah, ela dorme como um anjo, e sorri enquanto dorme. Que linda, que amor. Impossível não acariciá-la, vou fazê-lo pela última vez.

[ Eu sempre a acariciava ]


Os quartos escuros pulsam e pedem por nós…

É estranho, planejamos uma vida inteira juntos e quando eu sair por aquela porta estará tudo acabado. Já não sinto amor, não sinto dor, não sinto nada. Não estou triste, talvez frustrado. Sentado na cama e frustrado.

Ela abraçou minha perna, colocou o braço sobre ela. Deve estar sonhando com algo bom. Os sonhos são uma oportunidade de sermos felizes mesmo quando estamos tristes.

[ Eu sempre sonhava com ela ]

Levanto-me. Ela não acordou, ótimo. O rádio que embalou nossa noite agora toca Goodbye My Lover. É muita coincidência, a música cai como uma luva, descreve a situação.

Olho para a porta, parece tão longe. Tão longe quanto meu amor está. Já a cama, está tão perto que em um movimento posso deitar novamente, esquecer tudo e tentar um recomeço. A distância para a porta é realmente enorme.

[ A porta está a dois metros ]


E tudo o que eu posso te dar é solidão com vista pro mar…

Abro a porta. O frio de fora entra no quarto, sinto um arrepio. Aperto o casaco, subo mais o zíper.

Olho para trás.

[ Será a última vez que vou vê-la ]

— Te amo… — As palavras saem da boca dela, ainda dormente. Seus olhos estão fechados. A porta está entreaberta. Ir ou ficar, sair ou entrar? Posso mudar toda a minha vida nessa pequena decisão.

Eu sei o certo a fazer, mas o errado me parece tão mais tentador. Se é para errar, devemos errar com convicção.

[ Eu não estou convicto ]

***

Thiago dos Reis pensa que errar é aprender. Mas errar demais pode ser burrice.



Responses

Cheguei ao fim do texto sem folego. A respiração parou…

Sempre estamos convictos dos nossos atos. O mundo diz NÃO, mas ELES não sabem de nada. Nós sabemos o que é melhor prá nós, e que se dane o resto…
Aí o TEMPO nos mostra estarmos errados. Entendemos que mentimos pra nós mesmos, indo contra nossos valores e buscando justificativas em motivações irreais.
E então, pagamos o preço…
Talvez este preço nem seja tão alto… Há erros que valem a pena ser cometidos!!!
O difícil é ter a convicção de estar errando corretamente. Se a tiver, bem vindo ao mundo dos errantes….

“… errando enquanto o tempo nos deixar….”

“E tudo o que eu posso te dar é solidão com vista pro mar…”
bela frase,belo texto
e oq aconteceu,hein?
ele foi ou ficou?
ele errou ou acertou?
Goodbye My Lover.eh uma linda canção

Eu já ouvi isso, moço, sobre errar com convicção.
E estou errando convictamente.
Simplesmente não consigo sair por aquela porta e enquant isso na floresta, o que tenho vira comprimisso, expectativas, planos de viagem, vontade de conhecer meus pais em Minas entre tantas outras coisas que não posso dar, que colidem com meu desejo de ir embora.
E o desejo colide com o “eu te amo” que ouço e com aqueles que nem ouso ais dizer.
Socorro!

À parte disso, o post está liricamente perfeito.
MArina Lima, Arnaldo Antunes e todos os sentimentos ali, conflitantes!!!

Beijos, moço!

Leave a response

Your response:

Categories