4th Jun, 2008

Primavera e uma reflexão sobre perdas e valores

Estamos no Outono, eu sei. Mas no hemisfério norte é Primavera. Particularmente, gosto de calor. Talvez isto explique meu gosto pela Primavera, visto que é a estação que separa o Inverno do Verão.

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É a estação em que as flores renascem, a fauna e a flora terrestres se reflorescem e a cada dia o Verão está mais próximo. Gosto muito de uma música do Los Hermanos chamada Primavera.

A música começa assim:

Primavera se foi, e com ela meu amor
quem me dera poder consertar tudo que fiz

Esquecendo o contexto da música e focando só nesses dois versos, percebemos a analogia com algo tão comum em nossas vidas: a perda. Não damos o devido valor a algo enquanto temos, e só após a perda lembramo-nos o quão importante aquilo era prá gente. Objetos, bens materiais, pessoas, sentimentos… desperdiçamos momentos de prazer e felicidade por desvalorizar coisas boas que estão próximas de nós.

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Primavera soprando prum caminho mais feliz… Mais feliz!
Na verdade nunca sabemos o verdadeiro valor de algo em nossa vida até que percamos essa coisa. Existe uma bela frase que diz ‘não viva para que sua presença seja notada, mas para que sua falta seja sentida‘. E muitas vezes nem notamos a presença de algumas pessoas perto de nós.. Sua presença não nos traz satisfação adicional. Apenas estão lá e ponto. E um dia uma dessas pessoas se vai, e nos perguntamos ‘cadê fulano?‘. Nos damos conta do valor que a presença dessa pessoa tinha. Às vezes a pessoa se vai, mas voltará. E então, após nos darmos conta de tal valor, passamos a valorizar mais sua presença e não a apenas sentir sua ausência. Mas às vezes as pessoas vão para não voltar mais. E nesse caso só o que resta é a saudade.

Outra belíssima frase diz algo como ‘afaste-se por tempo suficiente para que notem sua ausência, mas não o suficiente para que aprendam a viver sem ti‘. Quem segue essa frase mexe com as emoções das pessoas próximas. Ao nos afastar por um tempo determinado, as pessoas de quem nos afastamos aprendem o verdadeiro valor que temos. Mas se nos afastamos por muito tempo essas pessoas podem aprender a viver sem nós, parando de sentir nossa falta.

Isto me lembra casais ─principalmente jovens─ que dão um tempo. Ficando um tempo sem se falar (um tempo maior que o normal), acabam obrigados a refletir sobre o valor que o parceiro tem. E a distância age como o vento numa chama. O vento que apaga as pequenas chamas mas inflamam as grandes labaredas. A distância mostrará o verdadeiro valor do sentimento. Se ele era verdadeiro, aumentará. Se não era um grande sentimento isto ficará explícito e o relacionamento pode nem continuar.

Às vezes desvalorizamos algumas pessoas, mas às vezes supervalorizamos.. Pessoas que valorizamos demais e a quem atribuímos bons momentos felizes mas que, quando ausentes não fazem muita falta. Confesso que já tive uma amizade assim. Uma grande amiga, me fazia rir e eu valorizava muito sua amizade. Mas quando ela mostrou-se ausente por um tempo demorei a notar sua ausência. A verdade é que eu supervalorizava sua amizade. Ela não tinha tanto valor real para mim, visto que não notei sua falta por dias. Pelo contrário, só notei sua falta quando ela se fez presente novamente.


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Cadê o Pedrinho? Ele não veio hoje?

Realmente, é quase impossível determinar o valor real de uma pessoa para nós. Já ouvi vários relatos de amigas que dizem ‘não viver uma sem a outra’. Pessoas que dão muito valor a outras pessoas, e não conseguem se imaginar sem elas. Se não conseguimos fazer uma projeção racional de nossas vidas sem uma pessoa, não podemos saber seu valor exato. Só saberemos quando esta pessoa se fizer ausente por um tempo. Mas preferimos nem pensar nisto, afinal a ausência de pessoas queridas não traz alegrias, apenas sofrimento e saudade.

E no meio de tanto valor e tanto sentimento acabamos esquecendo do principal: antes de conhecermos essas pessoas, já estávamos vivos. Se alguém entra em nossas vidas, nos cativa e torna-se alguém importante, supervalorizado, não temos porque temer sua ausência. Afinal, antes dessa pessoa entrar em nossas vidas, nós já respirávamos, comíamos, bebíamos, vivíamos e éramos felizes. Sua ausência só faz a situação voltar ao plano inicial, antes dessa pessoa entrar em nossas vidas. Mas disso falarei em outro post, é um assunto muito largo..

Thiago dos Reis supervaloriza algumas pessoas, desvaloriza outras mas, no fundo, sabe o valor real de cada um.



Responses

Nossa,muito bom o texto

“Às vezes a pessoa se vai, mas voltará. E então, após nos darmos conta de tal valor, passamos a valorizar mais sua presença e não a apenas sentir sua ausência. Mas às vezes as pessoas vão para não voltar mais. E nesse caso só o que resta é a saudade.”
Muito importante esse trecho

e qto a imagem dos chinelinhos e a frase “cadê o´Pedrinho?ele não veio hj?” eh d uma sensibilidade tremenda.

Parabens

Ótimas reflexões…
Já consigo entender o verdadeiro contexto de cada frase. Interessante notar como cada palavra é percebida pelas pessoas de acordo com as próprias vivências. Levando em consideração que você está tentando espelhar a vida de maneira universal, só me resta parabenizá-lo….

Thiago dos Reis mora no litoral, mas seu coração já não vive ao nível do mar. Thiago dos Reis ainda não percebeu isto…

“Se alguém entra em nossas vidas, nos cativa e torna-se alguém importante, supervalorizado, não temos porque temer sua ausência. Afinal, antes dessa pessoa entrar em nossas vidas, nós já respirávamos, comíamos, bebíamos, vivíamos e éramos felizes.Sua ausência só faz a situação voltar ao plano inicial, antes dessa pessoa entrar em nossas vidas.”

Thiago dos Reis, em post futuro, vai contradizer esta frase… no mínimo acrescido de outras vivências…

Disto, Thiago dos Reis tem 70% de certeza!!!

Rafa… valeu!

Valéria.. quando conhecemos o autor nossa visão muda.. isso não é melhor nem pior, mas muda.

Podemos entender a visão dele, e até ofusca a nossa de vez em quando..

Realmente, meu coração não está mais no litoral. Há anos não está e cada dia fica mais evidente..

Espero que quando eu me contradiga, o faça com bons argumentos hehe.

Beijo!

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