27th Feb, 2008

Le Petit Prince

Eu nunca havia lido O Pequeno Príncipe. O título não me chamava a atenção e me parecia coisa de criança ou de mulherzinha. A verdade é que num belo dia a Aline me mostrou o blog de um amigo dela e nele havia uma passagem do livro, um trecho muito bonitinho do pequeno príncipe conversando com uma raposa. Achei bacana e resolvi ler o livro. Li logo no dia seguinte.

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O Pequeno Príncipe morava num planeta minúsculo,
com três vulcões e uma rosa.

Confesso que o livro mudou minha vida. Não, não fiquei milionário nem nada disso. O que mudou foi minha maneira de percepção das coisas. São vinte e oito capítulos e em cada um aprendemos uma lição de vida. É bom ler esse livro quando já se tem certa maturidade, pois entendemos direitinho cada mensagem. E tem algumas que ficam no ar, fazendo-nos pensar e pensar até descobrir qual é a mensagem que o texto está tentando passar.

Além disso, há várias frases geniais. Só na conversa do príncipe com a raposa, são pelo menos 5 frases inesquecíveis. Algums como Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas ou Se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo chamam a atenção. Mas uma frase em especial me deixou intrigado, ia contra os meus conceitos e seu significado pode ser muito amplo. Num certo diálogo, o príncipe comenta que seu planeta é muito pequeno e depois diz:
- Quando a gente anda sempre para frente, não pode mesmo ir longe…

A vida não é uma estrada, é uma rua escura, esburacada e cheia de curvas. Se andarmos sempre em frente não desviaremos dos obstáculos que ela nos impõe. Até o mais veloz dos carros precisa fazer curvas e na vida é a mesma coisa. Ao avistar um obstáculo devemos desviar dele, e quantas vezes não avistamos problemas e temos que nos desfazer de nossos planos? É a vida fazendo suas curvas. As vezes para atingir um objetivo precisamos desviar de inúmeros obstáculos e nem sempre podemos ir direto ao ponto. Para chegar à felicidade precisamos dar muitas voltas, errar e acertar, sempre desviando das pedras que aparecem no caminho. Acho que foi isso que o autor quis passar com essa frase, mas ao lê-la, sinto que estou sendo contrariado. Meu lema sempre foi Siga em frente! Continue andando. Ok, não tenho um lema, mas eu sempre tento seguir em frente e continuar andando. E quando algo me diz que não posso andar sempre para frente, me sinto contrariado.

rua-esburacada.jpg
Pra se dar bem na vida, compre um Jeep!

Thiago dos Reis anda sempre em frente. Caminhando, cantando e seguindo a canção!

P.S. no resto do post coloquei um trecho da conversa do príncipe com a raposa. Genial!

O Pequeno Príncipe - Cap. XXI

(…)- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita…- Sou uma raposa, disse a raposa.

- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste…

- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. não me cativaram ainda.

- Ah! desculpa, disse o principezinho.

Após uma reflexão, acrescentou:

- Que quer dizer “cativar”?

- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?

- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer “cativar”?

- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?

- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer “cativar”?

- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa “criar laços…”

- Criar laços?

- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…

- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor… eu creio que ela me cativou…

- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra…

- Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.

A raposa pareceu intrigada:

- Num outro planeta?

- Sim.

- Há caçadores nesse planeta?

- Não.

- Que bom! E galinhas?

- Também não.

- Nada é perfeito, suspirou a raposa.

Mas a raposa voltou à sua idéia.

- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.

O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo…

A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:

- Por favor… cativa-me! disse ela.

- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.

- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!

- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.

- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto…

No dia seguinte o principezinho voltou.

- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração… É preciso ritos.

- Que é um rito? perguntou o principezinho.

- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!

Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:

- Ah! Eu vou chorar.

- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse…

- Quis, disse a raposa.

- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.

- Vou, disse a raposa.

- Então, não sais lucrando nada!

- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.(…)



Responses

o texto ficou bom
e o trexo do livro eh espetacular
ainda não li o pequeno principe
mas agora vou ler!

É, Thiago. O Pequeno Principe ficou vinculado às misses… mas é de uma beleza sem igual. Todo esforço para que a obra torne-se conhecida - e para que se quebre qualquer preconceito em torno dela - é importante. Belo texto este seu, bela iniciativa. Parabéns.
Abraços!

a melhor parte do livro é quando a raposa diz pra ele que que o essencial é invisível aos olhos. isso fala tudo

Li o livro quando tinha 10 anos, minha professora havia me presenteado. E li e reli esse livro desde então…lá se vão 30 anos e com certeza, é uma leitura imperdível.
Bom texto….te encontro no Papo de Homem e vim conferir!!!
bjs

Uau, já tinha lido o pequeno príncipe várias vezes e não me lembro dessa frase. Ou pelo menos não refleti como vc.
É muito bom achar essas reflexões escondidas por trás das palavras. Ótimo texto, sério. Muito bom mesmo! Beijão! :*

Valeu gente. Vivi, lembro que quando estava lendo o livro, tive várias ’surpresas’. Momentos em que eu dizia para mim mesmo ‘pqp, que genial!’. Quando li essa frase foi um deles, e depois parei pra pensar.. ela mexe com meus conceitos e isso chega a me incomodar. É uma das minhas preferidas.

fabrizio, essa frase que vc disse é excelente também.

Renato, particularmente minha ‘rejeição’ ao livro era pelo título e pela capa. parecia livrinho de criança.

beth, com certeza lerei e relerei muitas vezes,como você. :)

Seu texto está ótimo, realmente excelente, por mais que eu nunca tenha lido o livro, o texto mais o fragmento desperta uma curiosidade além.
Enfim, comparei o em francês e então serei o que você quer que eu seja.
beijo, thi.

[...] frase de O Pequeno Príncipe (sim, eu gosto de citar esse livro!) diz: - Só se vê bem com o coração. O essencial é [...]

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