Um Começo…

    Estradas, jaqueta de couro e um carro… É um belo começo;

    5/11/2008 -

    Blogues que eu leio

    Atenção, isto não é um ranking. Mas é quase.
    - Não 2, Não 1
    Excelente blogue do Gustavo Gitti. É incrível como me identifico com quase tudo o que ele escreve. É fascinante quando você lê algo e se diz “Pqp por que eu não escrevi isso?”. É o primeiro da lista por conta disso.
    Um dos primeiros [...]

    2/01/2009 -
16th Jul, 2008

As Flores de Plástico Não Morrem?

Um vazio imenso. Um pedaço do coração arrancado. Se precisasse fazer uma analogia com a Teoria da Madeira, diria que um bom pedaço da tábua foi lascada.

flores-peq.jpg

Quando alguém querido nos deixa de repente, a sensação que temos é de que algo nos foi arrancado, não? Ferida que não cicatriza.

Há uma frase que diz: ‘O sentimento é uma flor delicada; Manuseá-la é machucá-la‘. Ao manusearmos um sentimento mudamos seu jeito, sua existência. Sempre acabamos machucando-o. Às vezes ele suporta a dor e torna-se melhor, outras vezes não. Algumas flores morrem quando tentamos manuseá-las. Mas as vezes é necessário manuseá-las, exatamente para evitar sua morte.

rosa-ampliada.jpg
Esta não é uma flor de plástico, ela está viva!

 

Imagine uma flor na beira do mar, antes de uma tempestade. Com a tempestade, a maré irá subir e afogá-la. Por isso devemos retirá-la daquele local e colocá-la em segurança. Mas, ao ser manuseada a flor pode morrer. Nesse caso, manuseá-la apenas anteciparia sua morte. Uma manobra arriscada, que nem sempre dá certo. Às vezes a flor é salva e sobrevive à mudança, mas às vezes a flor pode se machucar ao ser tocada, não aguentar as feridas e murchar.

No livro O Pequeno Príncipe há uma das frases mais bonitas que já li. A frase diz ‘Foi o tempo que dedicaste a tua rosa que a tornou tão importante‘. Na história do livro, o pequeno príncipe tinha uma flor, a qual amava. Ela não se diferia de outras milhões de rosas pelo mundo, mas ele a amava. Quando dedicamos nosso tempo a alguém, esta pessoa torna-se importante, especial para nós. Podem até haver pessoas melhores, mas o tempo que dedicamos a alguém torna esta pessoa mais importante. Daí nasce o carinho.

Confesso que eu tinha uma rosa, como a do príncipe. Uma flor única. Quando a conheci, ela estava desabrochando. Eu a vi amadurecer, reguei-a com felicidade, carinho, ternura, compreensão e compaixão. E reguei até quase afogá-la. Depois, tentei protegê-la dos ventos e do mau tempo, evitar que sofresse… E eu não queria nada de especial em troca, apenas seu sorriso, vê-la desabrochar, amadurecer. E isso ela fazia com uma delicadeza sem igual. Por várias vezes também me machuquei com seus espinhos, afinal, toda rosa tem espinhos…

Mas as feridas cicatrizavam e a alegria de poder vê-la e acompanhá-la era infinitamente maior. E então ela desabrochou, se tornou uma linda flor. Talvez, a mais bela de todas. E algum tempo depois, como todas as flores, ela murchou. Não sem antes levar um grande pedaço de mim. Não sem deixar em meu jardim um espaço vazio. Um triste e escuro espaço vazio… Um espaço de terra regada com carinho e felicidade, em que agora não há mais nada, apenas terra, uma semente e restos.

 flor-morta.jpg
Essa imagem me entristece profundamente

E todos, todos nós temos nossos jardins. Com nossas rosas, nossas flores. Regamos cada uma delas com os ingredientes que achamos que devemos usar. Algumas com felicidade, outras com carinho, outras apenas com compreensão. Machucamos algumas, nos machucamos com os espinhos de outras… E quando uma dessas flores murcha, o espaço que ela tinha no jardim fica ocioso e triste. E isso nos faz sofrer. Quanto mais importante era a flor e quanto mais enraizada ela estava em nosso jardim, maior o espaço vazio que ela deixa, maior a dor.

Mas esquecemo-nos de que, quando uma flor murcha, o espaço que ela ocupava continua fértil e que mais cedo ou mais tarde outras flores serão plantadas ali e outras flores que já estão em nosso jardim poderão ocupar este espaço fértil para enraizar-se lá.

Thiago dos Reis plantou uma semente e espera ver brotar uma bela flor em seu jardim.

P.S.: Sim, este texto é pra você!



Responses

“…E algum tempo depois, como todas as flores, ela murchou. Não sem antes levar um grande pedaço de mim. Não sem deixar em meu jardim um espaço vazio. Um triste e escuro espaço vazio… Um espaço de terra regada com carinho e felicidade.”

Impressionante o texto,em especial esse trecho,eu quase me emocionei!
parabéns de verdade.

Thiago, o Espelhando arrebenta!

Muito bom o texto e que remete a uma put@ reflexão.

Parabéns!

O trecho que o Rafael marcou é o mesmo que eu ia marcar!!!
Nossa, muit bonito mesmo…

Acredito que a maior semente que você plantou foi esse texto, e as flores que vão brotar são muitas… vindas dos elogios e da emoção que todos nós sentimos ao nos identificarmos com o texto, pois sim, acredito que todos se identificaram…
Realmente, você escreveu para mim, para o Rafael Galvão, para o Bonilha e para outras milhares de pessoas!

PAZ
au revoir
=]

(não repara a confusão de idéias… ainda estou emocionada com o texto ;])

é… esta Teoria da Madeira, é a parte com toque humor, que ameniza, todo o resto é verdade, bjs Thiago, escreva mais…

Leave a response

Your response:

Categories