Uma Viagem de Metrô..
Um casal, uma estação de metrô e uma caixa de bombons… Talvez, uma lição de vida.
27/08/2008 - 3 Comentários
Estes dias estive experimentando um misto de dor e sofrimento. Muita dor, muita mesmo. E um pouco de sofrimento.

Lembrei-me várias vezes do dito de Carlos Drummond: ‘A dor é inevitável, o sofrimento opcional‘. Experimentei essa frase na pele, e tive oportunidade de analisar a dor e o sofrimento. Antes de publicar este post, o li duas vezes. Após ler pela segunda vez, passei a considerar o melhor texto que já escrevi. Talvez não por seu conteúdo, mas pela dificuldade que tive para descobrir cada sensação e descrevê-la.
Em meu momento de maior sofrimento, lembrei-me dessa frase. Escrevi há alguns dias que devemos sorrir para nossos problemas, e foi o que fiz. Sorri para a dor e mandei-a entrar. Tentei curtir a dor e eliminar o sofrimento. Em vão. Parecia impossível, dor e sofrimento vivem lado a lado. A dor já é um sofrimento, o simples acto de sentir dor (seja esta física ou emocional) já causa um sofrimento. Mas eu tinha que resistir, tinha que lutar. Afinal, sou eu o criticão que tanto critica as pessoas que sofrem por semanas e não se levantam para a vida.

Seus sonhos já foram despedaçados alguma vez?
Duas horas depois de um dos piores sentimentos pelo qual já passei, continuava a reflexão. Pensei em quantas pessoas sofrem por aí, por diversos motivos. Cheguei a me achar fútil, mas meu ego não me deixou pensar dessa forma por muito tempo. Foi quando decidi transformar o sofrimento em renascimento. Comecei a pensar em tudo de errado que fiz nos últimos dias e em como consertar cada erro. A cada erro consertado, uma pequena boa sensação, misto de alegria, prazer e satisfação. Mas a dor não foi embora, persistiu. O sofrimento foi amenizado mas continuava lá, presente.
Mais uma hora se passou, e tentei outra alternativa. Como escrevi há algum tempo atrás, paramos de sofrer quando paramos de nos importar. Então parei de me importar, tentei tirar toda a importância do fato que causou a dor que me fazia sofrer. Novamente, o poeta dá com os burros n’água, pois foi impossível parar de me importar. Por mais que me esforçasse, quase não amenizei o sofrimento, e a dor persistia, me envolvendo internamente e acabando comigo.
Nada parecia amenizar meu sofrimento, e eu permanecia sentado em frente ao pc. Messenger ligado, ninguém online, madrugada. Até isso me fazia sofrer, estavam todos dormindo e eu ali, sofrendo sozinho. Aí pensei em tudo. Pensei nas expectativas que criei, em como tudo seria perfeito e nos momentos bons que eu iria passar. Pensei em como tudo isso me foi tirado em menos de um segundo e em como isso doía. Fiquei vários minutos pensando nisso. E conforme pensava a dor aumentava, por dentro eu estava cada vez mais acabado, derrotado.
Passada uma hora mais, finalmente compreendi. Minha dor e sofrimento não eram pelo fato de eu me importar ou deixar de me importar, era pelas expectativas. A dor emocional e o sofrimento eram nada mais que expectativas e sonhos criados, que foram dilacerados. Quando meus sonhos foram esmagados, é como se parte de mim tivesse sofrido essa dor, quase que fisicamente. Em meu subconsciente essas expectativas e sonhos ainda estavam vivos, latejando, clamando por atenção, enquanto em meu consciente a dura realidade mostrava que agora era impossível realizá-los. Este choque entre consciente e subconsciente me fazia sofrer, acabava comigo, era mais forte que eu! Quando consciente e subconsciente se alinharam e pararam de se chocar, o sofrimento acabou.

Ele está se recuperando, é questão de tempo..
Isto me lembra alguns casos sobre histeria. Freud curava alguns pacientes da histeria apenas descobrindo a razão de seu sofrimento. Ao trazer o real motivo à tona, o sofrimento acabava. Comigo aconteceu o mesmo. Ao tomar consciência do real motivo de meu sofrimento (as expectativas), o choque que ocorria entre meu consciente e meu subconsciente cessou. A dor persistia, sim, mas o sofrimento acabou. Então sorri, abri a porta de meu consciente e chamei a dor para entrar. Ainda dói, sempre doerá. Mas não sofro mais, nem um pouco.
Confesso que nunca venci o sofrimento tão rapidamente, foi um dos piores sentimentos que já senti na vida, pensei que ia demorar dias ou semanas para vencer. Já passei dias sofrendo por algumas coisas, dessa vez sofri por apenas quatro horas. Quanto à dor… Foi amenizada, mas nunca sumirá por completo, pois sempre que eu lembrar, doerá novamente. O sofrimento? Já era!
Thiago dos Reis faz um balanço positivo do sofrimento pelo qual passou, pois o aprendizado valeu a pena.
Posted by: Thiago dos Reis
Categories:
Análises
Espelhando
Experiências
Thiago, passei por algo semelhante há um ano e alguns meses… As expectativas que eu havia criado e o momento que eu estava vivendo, com meus objetivos sendo alcançados e a pessoa que eu amava ao meu lado, me fizeram sair do mundo real e me sentir como em um sonho. Mas você deve conhecer a natureza dos sonhos.. e tudo acabou.E quando vi que não tinha chances de voltar a dormir e continuar o sonho, nada mais tinha razão pra mim, eu queria morrer, tentei me matar, minha alma estava como morta e o mundo não significava mais nada. Foram meses de sofrimento intenso e cruél. Eu não queria tentar de novo, eu não queria continuar, não tinha vontade de me reerguer, de viver novamente. Tinha morrido e aceitava isso, eu estava realmente morto. Hoje eu já não sofro, mas vou confidenciar algo: ainda dói. É como se fosse permanente, sinto que algo em mim morreu, sabe, algo que eu tinha antes mas que perdi. E quando dói eu choro, sofro. Ainda não me recuperei completamente, mesmo depois de quase 2 anos. Não sou fraco, nunca fui, mas o golpe foi tão forte, foi em algo que eu tinha posto tanto de mim que.. sei lá.. você deve entender o que eu senti. Mas foi bom, porque algumas convicções morreram junto, foi uma prova de fogo, praticamente. Assim como algo morreu algo mudou. E não sou mais o mesmo de antes. O que aconteceu foi um rito de passagem, aos meus 18 anos. Algo de bom eu aprendi com tanto sofrimento (E, sim, todo o sofrimento foi causado e alimentado por mim, todo esse tempo). É assim que se aprende a viver, é sofrendo. Quando paro pra pensar, percebo que o que eu perdi não foi importante. Foi um aprendizado pra que eu não repita os mesmos erros quando o que REALMENTE importa chegar. Thiago, mesmo que não te doa mais, mesmo que o sofrimento tenha sumido, mesmo sabendo que você não precise, te desejo força, cara, e que você saiba tirar o melhor do que aconteceu, como eu tento, ainda hoje, fazer.
Valeu!
By: Thiago Freitas on May 24th, 2008
at 8:33 am
Obrigado cara, realmente os sofrimentos nos servem de experiência. Quando acordamos dos sonhos e as expectativs morrem, um pedaço de nós morre junto e a recuperação é difícil. Dou graças por ter me recuperado em tão pouco tempo, e parabéns a você por conseguir se recuperar e dar a volta por cima!
Um abraço!
By: Thiago dos Reis on May 24th, 2008
at 1:13 pm
Meu Deus, esse tempo todo você me deixava comentários e só hoje - SÓ HOJE!! - fui descobrir que você tinha um blog também! Que terrível. :P
Em primeiro lugar, parabéns pelo texto! Você superou minhas expectativas (eu juro que não queria usar essa palavra aqui, depois do seu post, heuwheuhaue mas precisei). Eu não sabia que você também curtia escrever.
Agora, enfim, o seu texto. Lindo e sincero. Já passei por muitas coisas na vida e sei como é isso… e essa coisa de ter expectativas demais é complicada. Eu, particularmente, tenho MUITAS expectativas. Às vezes acabo endeusando tanto uma coisa que, quando consigo obtê-la, largo bem rápido porque não vejo tanta graça.
Acho que meu problema principal é a ansiedade. Sou muito ansiosa e acabo ficando paranóica por causa disso… e isso vai me deixando nervosa, aí vou ficando sem paciência, e a paranóia só aumenta e aí eu choro. D:
Deprimente, eu sei. Mas eu estou tentando contornar a situação. =p
De qualquer forma, fica aqui uma frase que eu aprendi depois de tantos baques: não importa o tamanho da sua dor (ou do seu sofrimento =p), o mundo não vai parar e te esperar melhorar pra poder continuar rodando.
Não existe nada como um dia após o outro com uma noite no meio. E bola pra frente!
By: Gabriella on May 25th, 2008
at 2:21 am
Alguns textos extraem de cada um de nós
aqueles pensamentos (e sentimentos) que
nem sempre gostamos de revelar. Foi o
que me aconteceu ao ler seu post. Com
certeza cada leitor será atraído (e traído)
pelas tuas reflexões, fazendo-as suas, de
maneiras inimagináveis para você.
Você me fez refletir sobre muitas coisas,
principalmente fazendo paralelos entre o
que podemos mudar e sobre o que pode nos
mudar….
Parabéns!!!!
P.S>= Cada ser é 100% sensível a sua maneira.
Impossível fazer-se comparações entre subjetividades
e momentos de uma vida. Hoje prá mim seu texto foi
perfeito- confesso que o reli inúmeras vezes.
Ele se encaixou perfeitamente em incontáveis situações.
Só reclamo que ele chegou alguns dias atrasado…
Obrigada pela sensibilidade, pela companhia, pela
paciência e pela disponibilidade; desculpe se abusei
de seus ouvidos…
By: Jéssica? on May 25th, 2008
at 4:50 am
Oi Jéssica, obrigado! Como citei no penúltimo parágrafo, às vezes acabamos com o sofrimento apenas descobrindo a raiz dele. Para isso é preciso muita auto-análise e reflexão. Mas isso só nós podemos fazer.
Desculpe por ontem, meu computador desligou do nada (acontece às vezes). Voltei depois mas não podia fazer mais nada, então fui dormir. Não abusou não! :)
Um beijo! E obrigado você.
By: Thiago dos Reis on May 25th, 2008
at 3:37 pm
É, Thiago.
Relatar as próprias experiências é, curiosamente, muitas vezes, a maneira mais eficaz de ajudar que eventualmente enfrenta uma situação difícil. Melhor, em muitos casos, até mesmo que aconselhar: dá-nos a sensação de que não estamos sozinhos, e que se o outro conseguiu, hemos também de conseguir.
Infelizmente não são tantos os que estão dispostos a dividir um pouco de si com os outros. Parabéns por ser parte da exceção.
Abraços.
By: Renato Alt on May 27th, 2008
at 3:22 pm
Pois é,comecei a ler isso a alguns dias atras mas soh agora terminei… agora percebia a genealidade das palavras do texto que parece ter sido escrito pra mim.
A pouco tbm passei por um grande golpe como havia t dito e soh agora entendo realmente como agir nessas ocasioes.
parabens pelo texto
abraço
By: Rafael Galvão on June 3rd, 2008
at 9:11 pm
[...] lixo! Tantos filmes que criei em minha mente, todos eles serão deletados assim, do nada? Como vou me recuperar? Sinto um frio na barriga, o momento está chegando. Uma euforia toma conta de mim, juntando-se ao [...]
By: Espelhando - Refletindo a realidade! » O Paradoxo do Tempo; A Angústia da Espera on July 4th, 2008
at 9:39 pm
Não o conheço, mas amei o seu texto é lindissimo…
M identifiq
By: Michelle on July 18th, 2008
at 5:52 pm
Não o conheço mas me identifiquei muito com o seu texto,é lindissimo…
Gostei tanto que irei copia-lo no meu blog,com certeza esse texto me servirá de consolo nas horas mas dificies.
bjus no seu coraçao e fica na paz…
By: Michelle on July 18th, 2008
at 5:56 pm
Ainda esta semana um complemento.. a visão da tragédia 3 meses depois.
By: Thiago dos Reis on August 12th, 2008
at 7:37 pm