26th Mar, 2008

A Chama que apaga e a Chama que acende

Estou numa fase de transição. Mudança de vida, mudança de pensamento, conceitos e tudo mais. Estou me tornando uma pessoa tolerante, embora os vícios e as manias não deixem isso transparecer. Há muito algum tempo, a Aline me passou uma música, Ana e o Mar, do Teatro Mágico.

Enfim, gostei da música desde o início mas só há alguns dias um verso da música me chamou a atenção. Após uma conversa produtiva com um amigo, debatemos sobre o significado do seguinte verso:
- Todo sopro que apaga uma chama reacende o que for pra ficar

casal-e-fogueira.jpg
Vento, fogo e amor. A combinação perfeita.

Não posso dizer que chegamos a uma conclusão, pois conclusões são chatas. Após uma conclusão o assunto dá-se por encerrado, e jamais encerramos uma interpretação.

Há uma boa frase, que diz ‘A distância faz com o amor o que o vento faz para a labareda; Apaga a pequena chama e inflama a grande’. A distância, a ausência do ser amado é na verdade um teste. Se você soprar um fósforo ele irá se apagar. Mas experimente soprar uma fogueira, ela irá se inflamar e aumentar suas forças.

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Cuide bem do seu amor…

Aos grandes amores, a distância e a ausência apenas aumenta sua chama, como o vento que incendeia uma fogueira. A alegria de ver a pessoa amada após uma longa ausência é indescritível. A saudade alimenta a chama do amor e ele cresce cada dia mais. Cada segundo que passa é um segundo a menos para o reencontro. O sonho é o combustível de nossa existência, e o sonho de ver a pessoa amada alimenta nossa alma, nos dá forças. A distância, vista como ruim, passa a se tornar benéfica pois nos dá a esperança.

Aos pequenos amores, aqueles sentimentos que, talvez possam parecer grandes e verdadeiros mas não são, a distância novamente se compara ao vento. Ao soprar um fósforo ele se apaga. Ao ficar distante de alguém cujo sentimento não é forte, ele (o sentimento) se perde e se apaga. Neste caso, o combustível da relação é a presença. Com a ausência e a distância, a superficialidade do sentimento fica visível e ele se acaba.

Como diz o verso da música, o sopro que apaga uma chama reacende o que for pra ficar. Particularmente, acredito em destino. E parece que algumas coisas estão escritas. Em alguns casos, o tempo, a distância e a ausência não atrapalham, apenas ajudam. É o sopro reacendendo o que é pra ficar. Muitas vezes conhecemos a pessoas certa, na hora errada. Nesse caso a presença diária seria fatal. A ausência acaba alimentando a chama, que com a força adquirida pode durar, quem sabe, eternamente.

Thiago dos Reis gosta da brisa do mar, mesmo sabendo que ela pode apagar fósforos.



Responses

[‘A distância faz com o amor o que o vento faz para a labareda; Apaga a pequena chama e inflama a grande’. A distância, a ausência do ser amado é na verdade um teste. Se você soprar um fósforo ele irá se apagar. Mas experimente soprar uma fogueira, ela irá se inflamar e aumentar suas forças.]acho que não preciso falar muita coisa,apenas que você se superou com o texto,meus parabens,esse foi um dos seus melhores textos que ja li,se não o melhor.
abraço

Por isso que a chama nunca vai apagar, porque o sentimento é forte, e tudo que acontece só fortalece, só o deixa maior, e com mais vontade de continuar existindo.
Enfim, eu te adoro tanto que nem tenho palavras.
:*****

Rafael, obrigado, MESMO!

Gabi, não sei nem como responder. Lembro que da falta de palavras nasce a poesia.. Que é uma tentativa (talvez em vão) de tentar expressar com palavras aquilo tudo que está dentro de nós..

Pena que não sou poeta.. se fosse, faria várias poesias. te adoro! :***

Parece que você ficou sabendo o que aconteceu na minha vida e escreveu esse texto pra mim =)

Vivi, esse vazio.. essa sensação de broken-heart… De que nosso coração foi partido e de que ao tentarmos colar os pedaços alguns deles foram perdidos, deixando um espaço… isso passa.

Esses pedaços q’estão faltando hão de se regenerar. Há um exemplo que sempre falo pra Aline (que tb escreve aqui).. e que se aplica ao q’estou falando..

É como um lutador de muay thai. No começo, ele é obrigado a dar chutes incessantes num saco de areia. Sua canela sangra, dói. Depois isso cicatriza.. Depois ele pode chutar um tronco, sua canela sangra e dóis.. depois isso cicatriza. Então, sua canela fica calejada.. A pele fica mais grossa e rígida e aguenta os fortes impactos. Ele pode chutar o saco de pancadas e isso não irá mais fazê-lo sangrar.

Isso se aplica aos pedaços faltando no coração que falei. Eles hão de se regenerar e virão mais fortes. Se alguma vez o coração for quebrado novamente ele irá se regenerar mais forte ainda. E será cada vez mais difícil quebrá-lo.

Espero ter m’expressado bem.

Um beijo! :*

Pois é, senti isso na pele.

Sabe quando vc pára, se olha no espelho com uma cara horrorosa e diz “caralho, cansei de chorar!!!” e começa a rir?

É quando a gente lembra que quanto maior a expectativa, maior a decepção, ou seja, percebe que as vezes as pessoas cometeram erros de pessoas medíocres… coisas comuns, que a gente vê muito por aí, que a gente espera de qualquer pessoa, menos dela! Porque que o nosso amor e a nossa capacidade de enxergar nelas o melhor faz com que achemos que elas são melhores e diferentes que o resto do mundo!

No fundo no fundo, a gente fica mal porque descobre que essa pessoa foi só “mais um”!

Me descabelar por isso? Deixa pra eu ficar mal quando eu me decepcionar comigo mesma! :)

Nossa… Esse texto era tudo o que eu precisava ler…
Tem tudo a ver com o momento que estou passando e me deu uma paz de espírito, uma tranquilidade, que há duas semanas de agonia e choro sem parar, não sentia…
Show!Bjão!

Texto perfeito, interpretação magnífica, verdades absolutas!

Parece que escreveu para mim, vivo exatamente essa sensação e essa certeza!

[...] que o normal), acabam obrigados a refletir sobre o valor que o parceiro tem. E a distância age como o vento numa chama. O vento que apaga as pequenas chamas mas inflamam as grandes labaredas. A distância mostrará o [...]

Vivi said: ‘É quando a gente lembra que quanto maior a expectativa, maior a decepção’

Só agora li isto.. ela antecipou meu texto sobre o sofrimento.. genial, Vivi!

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